Download Livros e eBooks

Posts com tag “Urbanismo Contemporâneo

Manifesto do Mofo contra o Racionalismo em Arquitetura

Peter Schmoni, Sem título, c.1971-72

O indivíduo que deseja construir não deveria estar submisso a nenhuma inibição. Todos deveriam ser capazes e obrigados a edificar para que sejam verdadeiramente responsáveis pelas quatro paredes e o interior nos quais vivem. Devemos aceitar o risco de que uma louca estrutura dessa natureza possa mais tarde desabar, e nós não devemos em nenhum caso recuar diante do perigo de morte que essa nova maneira de construir poderia acarretar. Deve-se pôr um ponto final na situação atual onde as pessoas se instalam em seus alojamentos como coelhos em seu viveiro. Se uma dessas estruturas selvagens construídas por esses habitantes fosse desabar, antes disso ela começaria primeiro a rachar, o que permitiria que eles se salvassem a tempo.Daí em diante, o habitante será mais crítico e mais criativo diante dos alojamentos que ele ocupa e reforçaria as paredes com suas próprias mãos, se estas lhe parecessem muito frágeis. A impossibilidade da habitação material das favelas é preferível à impossibilidade da habitação moral da arquitetura funcional e utilitária. No que nos acostumamos a chamar de favelas, só o corpo do homem arrisca-se a perecer, enquanto que na arquitetura institucionalmente planejada pelo homem também perde-se a alma.

Friedensreich Hundertwasser

Autor: Friedensreich Hundertwasser

Publicação original: 1958

Editora: Taschen

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/VaEWOGye/Hundertwasser_-_Manifesto_do_M.html

Anúncios

Apocalipse Motorizado

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas…Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado – A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

Autor: Ned Ludd (org.)

Publicação Original: 2005

Editora: Conrad

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/Soek_0ek/Ned_Ludd_-_Apocalipse_Motoriza.html


PROVOS

Quando tudo vai bem, desconfie. Há sempre algo podre sob o véu da hipocrisia. Os Provos existiram para escancarar essa realidade. Nascidos na Amsterdã dos anos 60 – o “Centro Mágico” do mundo, talvez hoje o lugar mais tolerante do Ocidente – os Provos deram o pontapé inicial para o surgimento da contracultura, e foram imitados no resto do planeta, inclusive pelos beatniks e hippies da América.

Como na Holanda não se fala inglês, o movimento raras vezes é lembrado quando o assunto são os anos 60. Salvo o livro do italiano Matteo Guarnaccia, Provos – Amsterdam e o Nascimento da Contracultura, há poucas publicações que analisam o fenômeno. Pertencente à ótima coleção Baderna, da Editora Conrad, o livro conta, em 175 páginas, a trajetória de uma revolução cultural empreendida por jovens anarquistas que conseguiram vários feitos através de uma forma bastante original e criativa de protesto – a provocação.

Provos é abreviação de “provocadores”. Entre 1965 e 1967, Amsterdã foi transformada no centro da desobediência civil. E foi pioneira nisso. Aquela célebre frase que os revoltos estudantes franceses fixaram na fachada da Sorbonne, em 1968 – “A imaginação está no poder” – foi reflexo do que aconteceu primeiro na Holanda. “Provo é uma imagem”, já dizia o primeiro manifesto de 1965. No livro, Guarnaccia diz: “A frase revela a perfeita consciência de estarem agindo dentro da sociedade do espetáculo, na qual o capitalismo moderno designa – para cada um – o papel específica de espectador passivo”.

O excesso de conforto, de segurança e o amplo acesso aos bens de consumo na Holanda, tornaram maior o anticonformismo dos herdeiros da tradição anarquista. Aqueles jovens tinham de contestar algo, lutar contra algum inimigo, mas, qual? Então deixaram o cabelo crescer, inclusive influenciados por quatro cabeludos de Liverpool que se apresentaram em Amsterdã, mas ainda não bastava. De repente, manifestações espontâneas e isoladas de performáticos contestadores da indústria e da propaganda começaram a “pipocar” aqui e ali.

Um deles foi Robert Jasper Grootveld, que fundou um templo antifumo, onde criava os seus happenings contra o vício disseminado e inconseqüente da nicotina. Sua igreja se chamava Dependência Consciente da Nicotina, onde uma turba de fiéis entoavam mantras como “cof, cof, cof, cof”. Nada escapava à fúria de Grootveld contra a falsa propaganda das indústrias do cigarro. Outdoors e cartazes eram pichados por ele com um “k” negro, inicial da palavra kanker (câncer). Por essa e outras, Grootveld foi preso duas vezes.

O epicentro da eclosão provos foi uma praça na Spui, ao redor da estátua de Lieverdje – obra do escultor Carel Kneuman, que representa um menino de rua –, aliás, doada para Amsterdã por uma indústria de tabaco. Grootveld pousa seus olhos nessa estátua e decide fazer ali, toda noite de sábado, seus rituais contra a pasmaceira geral: cerimônias que incluem dança, canto, teatro, jogos e discursos absurdos (frutos do movimento dadaísta), que terminam com uma imensa fogueira alimentada pelos curiosos e uma “congregação” de jovens.

Os encontros eram organiza-dos sob o espanto geral da população e da polícia, que enxergava ali apenas uma porção de baderneiros, mas os bania com truculência. A polícia era recebida sempre recebida com risos e dispersão. “Na Europa, já temos de tudo: televisão, liqüidificadores e motocicletas. Já que na China eles ainda não têm liqüidificadores, seu único objetivo é de os terem o quanto antes. Quanto chegamos a possuir tudo, eis que inesperadamente chega uma espécie de vazio”, diz um dos manifestos de Grootveld. E então que surgem outros “xamãs” anunciando mudanças – Van Duijin e Stolk, freqüentadores das cerimônias na Spui. “Eles percebem que as pessoas que delas participam têm um grau de consciência mui-to elevado, e que o evento tem um significado social explosivo”, diz Guarnaccia.

Duijin e Stolk lançam uma revista mensal intitulada Provos – que primeiro começa como um panfleto colocado clandestinamente dentro de jornais conservadores –, onde defendem uma conduta antisocial (contra o bem-estar holandês), o nomadismo, a arte, a ecologia, o fim da monarquia, dentre outras bandeiras. Através da publicação, os Provos conclamam os jovens a se unirem contra toda a sorte de alvos: carros, polícia, igreja, etc. E se colocam a favor do uso da bicicleta, da emancipação sexual, sobretudo do homossexualismo, da maconha, do fim da propriedade privada e de qualquer forma de poder ou proibição.

Vários projetos dos Provos vingaram e ainda hoje fazem par-te da rotina de Amsterdã, como as bicicletas “sem dono”. Em protesto contra a “caixa peidorrenta de ferro” (como definiam o automóvel), os Provos lançaram o Plano da Bicicleta Branca. Naquela época, voluntariamente, os jovens que freqüentavam a Spui levavam suas bicicletas para serem pintadas de branco e depois espalhadas pelas ruas para o uso irrestrito de todos. Outra conquista foi a liberalização da maconha.

A imprensa conservadora, representada pelo jornal Telegraph, não perdoou as mudanças empreendidas pelos Provos, como se lê num artigo de 1991, reproduzido no livro de Guarnaccia: “A sociedade holandesa nunca se recuperou das loucuras hippies, do flower power e das viagens para fora da realidade provocadas pela droga. Enquanto todas as sociedades ocidentais foram trazidas de volta à Terra, a socieda-de holandesa ficou nas nuvens”.

Cartlota Cafiero


Autor: Matteo Guarnaccia

Publicação original:

Editora: Conrad

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/4mhiFves/Guarnaccia_-_PROVOS.html


Heterotopias, de Outros Espaços

Cena do Filme Metrópolis (Fritz Lang), a cidade como heterotopia

Existem países, cidades, continentes, planetas, universos “sem lugar”, os quais seria impossível encontrar num mapa, e histórias sem cronologia.

Esses lugares, esses tempos, nascem na cabeça dos homens, nas suas narrativas, nos seus sonhos, no vazio de seus corações. São a doçura das utopias. Mas eu acredito que existem em todas as sociedades algumas utopias que ocupam um lugar real, um lugar que podemos situar num mapa, que têm um tempo determinado, um tempo que podemos fixar e medir segundo o calendário de todos os dias. É bem provável que cada grupo humano recorta no espaço onde está lugares utópicos e recorta no tempo momentos “ucronicos” o que quero dizer é que nós não vivemos nem espaço e num tempo neutro e branco. Não vivemos, não morremos, não amamos no retângulo de uma folha de papel. Vivemos, morremos, amamos num espaço esquadrinhado, recortado, desenhado, com zonas claras e escuras, com diferenças de níveis, com escadas, portas, penetráveis e impenetráveis.

Existem as regiões de passagem: as ruas, os trens, os metrôs. As regiões abertas: os cafés, os hotéis, as praias. As regiões fechadas, de repouso: o lar. Mas entre esses lugares que se distinguem uns dos outros, existem alguns que são completamente diferentes. Lugares que se opõem a todos os outros, que são destinados a apagá-los, neutralizá-los, purificá-los, são um tipo de “contra-espaços”, utopias localizadas (são por exemplo o fundo do jardim para as crianças, ou a cama dos pais, que contêm um oceano onde podemos nadar entre as cobertas, o céu, a noite, pois nos transformamos em fantasmas entre os lençóis…) Contra-espaços, utopias situadas, lugares reais fora de todos os lugares (como os jardins, os cemitérios…)

Eu sonho com uma ciência que teria por objeto esses outros lugares, essas contestações míticas e reais do espaço onde vivemos. Essa ciência estudaria não as utopias (porque é necessário reservar esse nome ao que não há verdadeiramente lugar) mas ela estudaria as “heterotopias”, os espaços absolutamente outros. A ciência em questão teria como nome, e já o tem, de “heterotopologia”. Para essa ciência que está nascendo, um primeiro princípio: não existe provavelmente uma sociedade que se constitui sem heterotopia, e essas heterotopias são as mais variadas e se transformam constantemente.

Michel Foucault

Autor: Michel Foucault

Publicação Original: 1967

Editora: sem editora

Idioma: Português

Link para Download:

http://www.4shared.com/document/9WvUzWHc/Foucault_-_Heterotopias_dos_es.html


Doorn Manifesto

Alison e Peter Smithson

Preâmbulo

Nós, os arquitetos do CIAM de muitos países – na Europa, na América, Ásia e África – nos encontramos em Bridgwater depois de dez anos.
Esses foram anos de esforço e separação durante os quais – como consequência da linha da dominação fascista – questões políticas, econômicas e sociais ganharam um novo significado para todos. Ao mesmo tempo o progresso tecnológico foi acelerado pelas intensas pesquisas científicas e pelas necessidades da produção bélica. A técnica do planejamento também progrediu como resultado da experiência que algum países adquiriram em organização social.
Esses fatores são, juntos, responsáveis por uma nova concepção de planejamento integrado que está emergindo. Aliado a isso há uma nova consciência contemporânea que encontra sua expressão definitiva nas artes.
Nos deparamos com a enorme tarefa de reconstruir os territórios devastados pela guerra, bem como elevar os padrões de vida das cidades subdesenvolvidas onde grandes mudanças estão agora ganhando espaço. Consequentemente sentimos que nosso sexto congresso é uma ocasião onde precisamos rever nossas atividades passadas, examinar nossa situação presente e determinar nossa política para o futuro.
Doorn Bakema, van Eyck, van Ginkel, Hovens-Greve,
Smithson, Voelker
Autor: Doorn Bakema, van Eyck, van Ginkel, Hovens-Greve, Smithson, Voelker
Publicação Original: Encontro do CIAM 29-30-31 Janeiro de 1954
Idioma: Português
Link para Download: