Download Livros e eBooks

Posts com tag “Erótica

História da Sexualidade 3: O Cuidado de Si

Quando se é jovem, não se pode evitar de filosofar e, quando se é velho, não se deve cansar de filosofar. Nunca é muito cedo ou muito tarde para cuidar de sua alma. Aquele que diz que não é ainda, ou que não é mais tempo de filosofar, parece àquele que diz que não é ainda, ou não é mais tempo de atingir a felicidade. Deve-se, então, filosofar quando se é jovem e quando se é velho, no segundo caso (…) para rejuvenescer ao contato do bem, pelas lembranças dos dias passados, e no primeiro caso (…) afim de ser, ainda que jovem, tão firme quanto um velho diante do futuro.

Assim sendo, filosofar é cuidar de si e isto é uma felicidade (encaixando-se na última família de expressões que vimos acima) pois o objetivo é ser feliz na presença de si próprio. A vida, sobretudo na velhice, torna-se mais feliz. Esta nova forma é, para todos os jovens, uma preparação para ser velho e, para os velhos, uma forma de revigorar-se com o bem.

Autor: Michel Foucault

Publicação original: 1984

Editora: Graal

Idioma: Português

Download:

Foucault – História da Sexualidade vol. III: O cuidado de si

Idioma: Espanhol

Link para download:

http://www.4shared.com/document/jeuR2XXC/Foucault_-_Histria_da_Sexualid.html

Anúncios

História da Sexualidade 2: O Uso dos Prazeres

Nesta segunda parte de História da sexualidade, Foucault modifica o seu projeto original, que era de falar da sexualidade no século XIX e volta à Antigüidade, analisando as práticas existentes em torno do sexo na Grécia Antiga. Foucault não aceita a hipótese repressiva pela qual a sexualidade é reprimida pelo sistema. Para ele, a sociedade capitalista liga prazer e poder. Entender se a mecânica do poder é repressiva depende da forma teórico-metodológica escolhida. Ele afirma que o sexo não foi proibido na Idade Clássica (século XVII). Foucault optou no livro 2 de Historia da Sexualidade por estudar como os indivíduos se reconhecem como sujeitos sexuais, e raciocinou o desejo e o sujeito desejante. O seu projeto, portanto, é a investigação da maneira como se constitui a experiência em que os indivíduos se reconhecem como sujeitos de uma sexualidade que abre para conhecimentos diversos e se articula num sistema de regras e coerções. Sua análise é sobre os homens enquanto sujeitos sexuais produtores de história. Foucault escolheu o viés da hermenêutica de si, ou jogos de verdadeiro e falso onde o ser se constitui como experiência. O uso dos prazeres constitui um campo de apreciação e de escolhas morais e modos de subjetivação dados por modos de sujeição, substância ética e formas de elaboração e teleologia moral. Assim, a obra indica a maneira como o pensamento médico e filosófico, ao longo dos séculos, elaborou esse ?uso dos prazeres? e formulou temas de austeridade sobre quatro eixos: relações com o corpo; relações com a esposa; relações com rapazes; relações com a verdade. Neste último eixo encontra-se a sabedoria; a sexualidade permeia a ligação desejo-verdade. Descobrir no desejo a verdade de si mesmo, pois com ele se remete a atenção a si próprio. Buscar a identidade gera poder. Para Foucault não há sujeito sem a noção de poder. A sexualidade é uma experiência histórica singular que inclui a preocupação moral e o cuidado ético e liga as técnicas de si às práticas em relação a si. A História da sexualidade 2, foi construída seguindo a estrutura da constituição de si, dos jogos de verdade e da interação com as regras de conduta. A problematização feita foi a partir das práticas que envolvem o dito objetos de estudo, ou seja, o simbólico em torno da sexualidade. Para os gregos antigos, o ato sexual era positivo. Já os cristãos o associaram ao mal e passaram a excluir uma série de atitudes, pois viram a queda na infidelidade, no homossexualismo e na não-castidade. Prega-se, a partir daí, a abstenção, a austeridade, o respeito à interdição, de modo que o indivíduo sujeite-se ao preceito cristão em torno do sexo. A homossexualidade era livre na Grécia Antiga e fazia parte dos ritos mantidos por mestres e pupilos em busca da sabedoria. Numa incursão na Idade Antiga, explica-se as práticas de si. Os gregos não tinham instituições para fazer respeitar as interdições sexuais, como a Igreja que surge fundamentada, no século IV, pelo filósofo Santo Agostinho. Eles tinham toda uma técnica de atenção ao corpo, uma dietética voltada para a gestão da saúde, um cuidado de si que influía nas práticas sexuais. Platão se mostra contrário à sujeição do homem ao domínio de Eros (prazer). Os homens gregos escolhiam livremente entre ambos os sexos. O homossexualismo era permitido pela lei e pela opinião, havendo grande tolerância na sociedade em relação a essa escolha. Acreditava-se que o homem não precisava de outra natureza para isso.Um questionamento, entretanto, havia em torno das relações mantidas entre os homens de idades diferentes. A passividade também era mal vista no adulto, com formação moral e sexual. A homossexualidade tinha o seu papel na pedagogia, que significava a condução do aprendiz pelo mestre, homem mais vivido e, portanto, sábio. Na sociedade, a homossexualidade era vista como uma relação aberta, em que configurava-se também o amor. Sem uma instituição que a estabelecesse, a regulação da conduta estava na própria relação. Jáo matrimônio era restrito ao espaço fechado, menos nobre. No campo da conduta amorosa se distingue honroso e vergonhoso. A temperança é a qualidade mais exigida. Aos poucos, acontece o deslocamento do problema dos rapazes para a mulher e do corpo para o desejo. A côrte se transfere para a mulher, ainda inferior. A homossexualidade grega estava ligada a côrte, reflexão moral e ascetismo filosófico. Ou seja, na Grécia o sexo não foi realizado só por prazer. Cedia-se em prol de uma elaboração cultural. Praticava-se o isomorfismo nas relações sexuais e nas relações sociais. Na própria estrutura social entende-se esses usos do corpo, em razão do status inferior da mulher e do escravo, enquanto que os jovens estavam acima deles. Os homens livres podiam se ter, pois se encontravam no mesmo nível, separados pelo fator etário e econômico, que eram, estes sim, os guias para o comportamento. Os gregos pensavam a desigualdade passivo-ativo. Discutia-se o verdadeiro amor e como o universo grego era explicado por mitos ancestrais, um exemplo é a concepção do amor em O Banquete, de Platão. Foucault inicia suas conclusões de Historia da Sexualidade 2 a partir da forma como se exerce o controle da sexualidade na história, sustentando que os gregos se interrogaram sobre o comportamento sexual como questão moral, no século IV, o sexo aparece como prática que leva à perda da substância vital e como corruptor de princípios morais e médicos, como a fidelidade, a temperança e a castidade.

Autor: Michel Foucault

Publicação Original: 1984

Editora: Graal

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/get/kMpvLYsN/Foucault_-_Histria_da_Sexualid.html

Idioma: Espanhol

Link para download:

http://www.4shared.com/document/grRbPxN5/Foucault_-_Histria_da_Sexualid.html


História da Sexualidade 1: A Vontade de Saber

Trata-se de questionar a sociedade que, desde o século passado, se maltrata pela sua hipocrisia.

A Sociedade vive, desde o séc. XVIII, uma fase de repressão sexual. Nessa fase, o sexo se reduz à sua função reprodutora e o casal passa a ser o modelo . O que sobra torna-se amor mal é expulso, negado e reduzido ao silêncio. Mas a sociedade burguesa se vê forçada a permitir algumas coisas. Ela restringe as sexualidades ilegítimas a lugares onde possam dar lucros que, numa época em que o trabalho é muito explorado, as energias não podem ser dispensadas nos prazeres.

Para Foucault, essa repressão é chamada por ele de hipótese repressiva, mas ele destrói esse pensamento e formula uma nova hipótese, mostrando que certas explicações funcionem, elas não podem ser encaradas como as únicas verdadeiras.

A hipótese repressiva não pode ser contestada, já que serve para a sociedade atual. Para nós é gratificante formular, em termos de repressão, as relações de sexo e poder por muitos motivos. Primeiro porque, se o sexo é reprimido, o simples fato da repressão e falar do sexo ultrapassa todos os limites; afinal, aceitando a hipótese repressiva, se pode vincular revolução e prazer, se pode falar num período em que tudo vai ser bom: o da liberação sexual. Sexo, revelação da verdade, inversão da lei do mundo, são hoje coisas ligadas entre si. Mas insiste-se na hipótese repressiva pois, dessa forma, tudo o que se diz sobre sexo ganha valor mercantil. Certos psicólogos, por exemplo, são pagos para ouvirem falar da vida sexual dos outros .

Essa hipótese repressiva vem acompanhada de uma forma de pregação: a afirmação de uma sexualidade reprimida é acompanhada de um discurso destinado a dizer a verdade sobre o sexo. Foucault, no livro, interroga a hipocrisia da sociedade. A questão é contra nós mesmos, que somos reprimidos. A partir daí, ele propõe uma série de questões: a repressão sexual é mesmo uma evidência histórica, como se afirma? Serão os meios que se utiliza e o poder repressivo o mesmo? Será que são formas discretas de poder?

Não é que ele diga que o sexo não vem sendo reprimido; ele afirma que essa interdição não é o elemento fundamental a partir do qual se pode escrever a historia do sexo, a partir da idade moderna. Ele coloca a hipótese repressiva numa economia geral a partir do séc. XVII. Mostra que todos os elementos negativos ligados ao sexo (proibição, repressão, etc.), têm função numa técnica de poder e numa vontade de saber.

A hipótese de Foucault é que há, a partir do séc. XVIII, uma proliferação de discursos sobre sexo.

Ele diz que foi o próprio poder que incitou essa proliferação de discursos, através da igreja, da escola, da família, do consultório médico. Essas instituições não visavam proibir ou reduzir a pratica sexual; visavam o controle do individuo e da população.

É suposto que deve-se falar de sexo, mas não apenas como uma coisa que a ser tolerada, mas a ser gerida e inserida para o bem de todos, fazê-lo funcionar. O sexo não se julga apenas, mas adiministra-se . Regula-se o sexo, mas não pela proibição, e sim por meio de discursos úteis, visando fortalecer e aumentar a potência do Estado como um todo.

Um exemplo prático dos motivos para se regular o sexo foi o surgimento da população como problema econômico e político, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, a precocidade e a freqüência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis e assim por diante.

Pela primeira vez, o dinheiro e o futuro da sociedade eram ligados à maneira como cada pessoa usava o seu sexo. O aumento dos discursos sobre sexo pode, então, ter visado produzir uma sexualidade economicamente útil.

Também passou a despertar as atenções de pedagogos e psiquiatras. Na pedagogia, há a elaboração de um discurso sobre o sexo das crianças; na psiquiatria, são estabelecidas as perversões sexuais. Ao assinalar os perigos, despertam-se as atenções em torno do sexo como um perigo incessante o que incita cada vez mais o falar sobre sexo .

O exame médico, a investigação psiquiátrica, o relatório pedagógico, o controle familiar que aparentemente visam apenas vigiar e reprimir essas sexualidades funcionam, na verdade, como mecanismos de incitação: prazer e poder. Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espia, investiga, revela; prazer de escapar desse poder. Poder que se deixa invadir pelo prazer a que persegue. Poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir . Prazer e poder reforçam-se.

Dizendo poder, não quero significar o poder , como um conjunto de instituições e aparelhos que garantem a sujeição dos cidadãos num determinado estado. Também não entendo poder como um modo de sujeição que, por oposição à violência, tenha a forma de regra. Enfim, não entendo o poder como um sistema geral de dominação exercida por um elemento ou grupo sobre o outro e cujos efeitos, por derivações sucessivas, atravessem o corpo social inteiro. A análise em termos de poder não deve postular, como dados iniciais, a soberania do Estado, a forma de lei ou a unidade global de uma dominação; estas são apenas e, antes de mais nada, suas formas terminais. Parece-me que se deve compreender o poder, primeiro, como a multiplicidade de correlações de forças imanentes ao domínio onde se exercem e constitutivas da sua organização; o jogo que, através de lutas e afrontamentos incessantes as transforma, reforça, inverte; os apoios que tais correlações de força encontram umas nas outras, formando cadeias ou sistemas ou ao contrário, as defasagens e contradições que as isolam entre si; enfim, as estratégias em que se originam e cujo esboço geral ou cristalização institucional toma corpo nos aparelhos estatais, na formulação da lei, nas hegemonias sociais . (FOUCAULT, 1993 pág. 88-89).

Pode-se afirmar, então, que um novo prazer surgiu: o de contar e o de ouvir.

Foucault constrói uma nova hipótese sobre a sexualidade humana. As sexualidades são socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que lhe convém.

Autor: Michel Foucault

Publicação original:1976

Editora: Graal

Idioma: Português

Link para download

:http://www.4shared.com/document/NHSu1PsB/Foucault_-_Histria_da_Sexualid.html

Idioma: Espanhol

Link para download:

http://www.4shared.com/document/jh8O2lX8/Foucault_-_Histria_da_Sexualid.html


O Erotismo


Toda concretização erótica tem por princípio uma destruição da estrutura do ser fechado que é, no estado normal, um parceiro do jogo.

Georges Bataille

Autor: Georges Bataille

Publicação original: 1957

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/ML5AZbex/Bataille_-_O_Erotismo.html