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TAZ – Zona Autônoma Temporária

Apesar de seu anti-marketing, TAZ tornou-se um best seller. A partir de seu lançamento, no final dos anos 80, foi reproduzido infinitamente na Internet (com a bênção do autor, que é contra direitos autorais) e ganhou edições em dezenas de países. Os conceitos lançados por Bey tornam-se cada vez mais difundidos no universo do ativismo radical de esquerda. Principalmente o conceito de Zona Autônoma Temporária, mais conhecida pela sigla TAZ (de Temporary Autonomous Zone). A idéia de combater o Poder criando espaços (virtuais ou não) de liberdade que surjam e desapareçam o tempo todo. Usando de sua inusitada erudição, Hakim Bey cruza as referências mais inesperadas: da filosofia sufi aos situacionistas franceses, de Nietzsche aos dadaístas. E vai buscar precedentes para a TAZ entre os piratas dos séculos XVI e XVII, nos quilombos negros da América e nas efêmeras repúblicas libertárias do início do século XX.

Autor: Hakim Bay

Publicação original: 1991

Editora: Sem editora

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/get/pJHIK1jz/Hakim_Bey_-_TAZ__Zona_Autonoma.html


Apocalipse Motorizado

A cada três minutos acontece um acidente envolvendo carros na cidade de São Paulo.

Vinte mil pessoas são mortas, por ano, vítimas de acidentes de trânsito no Brasil, mas números não oficiais apontam quase o dobro. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) mais de um milhão de pessoas estão envolvidas direta ou indiretamente nestes acidentes!

As ruas, avenidas e viadutos avançam devastando bairros e expropriando o espaço público da comunidade pelo espaço privado do automóvel.

O petróleo polui e altera as condições climáticas das cidades cada vez mais congestionadas…Guerras são declaradas e milhões são massacrados pelo controle das fontes de combustíveis como podemos ver claramente hoje no Iraque.

Contudo, até então nenhuma reflexão contundente sobre o papel desumano dos automóveis havia obtido seu devido espaço no Brasil, nenhuma crítica radical contra essas máquinas moedoras de carne humana.

Por isso, o livro Apocalipse Motorizado – A Tirania do Automóvel em um Planeta Poluído apresenta uma coletânea inédita de textos sobre a questão do automóvel como uma imposição social, discutindo seus ´efeitos colaterais´ nefastos como poluição, dependência do petróleo, expropriação do espaço público comum e a exclusão social. Mais que uma abordagem teórica, o livro propõe ações práticas e soluções à libertação da humanidade dessa tirania.

A coletânea é ilustrada pelo cartunista americano Andy Singer, cujo livro CARtoons tornou-se referência nos movimentos anticapitalistas ao redor do mundo.

Apocalipse Motorizado não representa apenas uma análise da insustentável organização de nosso atual sistema de transportes, mas também insere sugestões de como, de maneira inteligente e criativa, se opôr à ditadura do automóvel e suas consequências desumanas.

O pensamento ecológico radical de Ivan Illich e André Gorz, o papel do carro em nossa sociedade, a história do movimento anticarro, seu objetivo, como organizar uma ´Massa Crítica´ em sua cidade, sugestões de manifestações bem-humoradas: tudo condensado neste livro bombástico, um guia para quem não aceita ficar parado, vendo o tráfego atropelar suas vítimas.

Mais um acidente de trânsito acabou de acontecer em São Paulo.

Autor: Ned Ludd (org.)

Publicação Original: 2005

Editora: Conrad

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/Soek_0ek/Ned_Ludd_-_Apocalipse_Motoriza.html


Paris: Maio de 68

ESTE É UM RELATO DE UMA TESTEMUNHA OCULAR que passou duas semanas em Paris durante o mês de maio de 1968. Ele expressa o que uma pessoa viu, ouviu e descobriu durante essecurto período. O relato não pretende ser extenso. Ele foi escrito com pressa, sendo sua proposta informar mais do que analisar – einformar rapidamente. Os eventos ocorridos na França possuem uma importância que vai além das fronteiras da França moderna. Eles deixarão suamarca na história da segunda metade do século XX. As fundações da sociedade burguesa francesa acabaram de ser sacudidas. Qualquer que seja a conseqüência da luta em curso, devemos tranqüilamente nos darmos conta de que o mapa político da sociedade capitalista ocidental nunca será o mesmo novamente. Uma era inteira se encerrou: a era durante a qual as pessoas não podiam dizer, com uma cara de verossimilhança, que “não poderia acontecer aqui”. Uma outra era está começando: na qual as pessoas sabem que a revolução é possível sob as condições do capitalismo burocrático moderno.

Autor: SOLIDARITY

Editora: Conrad

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/PtKEc95k/Solidarity_-_Maio_de_68.html


PROVOS

Quando tudo vai bem, desconfie. Há sempre algo podre sob o véu da hipocrisia. Os Provos existiram para escancarar essa realidade. Nascidos na Amsterdã dos anos 60 – o “Centro Mágico” do mundo, talvez hoje o lugar mais tolerante do Ocidente – os Provos deram o pontapé inicial para o surgimento da contracultura, e foram imitados no resto do planeta, inclusive pelos beatniks e hippies da América.

Como na Holanda não se fala inglês, o movimento raras vezes é lembrado quando o assunto são os anos 60. Salvo o livro do italiano Matteo Guarnaccia, Provos – Amsterdam e o Nascimento da Contracultura, há poucas publicações que analisam o fenômeno. Pertencente à ótima coleção Baderna, da Editora Conrad, o livro conta, em 175 páginas, a trajetória de uma revolução cultural empreendida por jovens anarquistas que conseguiram vários feitos através de uma forma bastante original e criativa de protesto – a provocação.

Provos é abreviação de “provocadores”. Entre 1965 e 1967, Amsterdã foi transformada no centro da desobediência civil. E foi pioneira nisso. Aquela célebre frase que os revoltos estudantes franceses fixaram na fachada da Sorbonne, em 1968 – “A imaginação está no poder” – foi reflexo do que aconteceu primeiro na Holanda. “Provo é uma imagem”, já dizia o primeiro manifesto de 1965. No livro, Guarnaccia diz: “A frase revela a perfeita consciência de estarem agindo dentro da sociedade do espetáculo, na qual o capitalismo moderno designa – para cada um – o papel específica de espectador passivo”.

O excesso de conforto, de segurança e o amplo acesso aos bens de consumo na Holanda, tornaram maior o anticonformismo dos herdeiros da tradição anarquista. Aqueles jovens tinham de contestar algo, lutar contra algum inimigo, mas, qual? Então deixaram o cabelo crescer, inclusive influenciados por quatro cabeludos de Liverpool que se apresentaram em Amsterdã, mas ainda não bastava. De repente, manifestações espontâneas e isoladas de performáticos contestadores da indústria e da propaganda começaram a “pipocar” aqui e ali.

Um deles foi Robert Jasper Grootveld, que fundou um templo antifumo, onde criava os seus happenings contra o vício disseminado e inconseqüente da nicotina. Sua igreja se chamava Dependência Consciente da Nicotina, onde uma turba de fiéis entoavam mantras como “cof, cof, cof, cof”. Nada escapava à fúria de Grootveld contra a falsa propaganda das indústrias do cigarro. Outdoors e cartazes eram pichados por ele com um “k” negro, inicial da palavra kanker (câncer). Por essa e outras, Grootveld foi preso duas vezes.

O epicentro da eclosão provos foi uma praça na Spui, ao redor da estátua de Lieverdje – obra do escultor Carel Kneuman, que representa um menino de rua –, aliás, doada para Amsterdã por uma indústria de tabaco. Grootveld pousa seus olhos nessa estátua e decide fazer ali, toda noite de sábado, seus rituais contra a pasmaceira geral: cerimônias que incluem dança, canto, teatro, jogos e discursos absurdos (frutos do movimento dadaísta), que terminam com uma imensa fogueira alimentada pelos curiosos e uma “congregação” de jovens.

Os encontros eram organiza-dos sob o espanto geral da população e da polícia, que enxergava ali apenas uma porção de baderneiros, mas os bania com truculência. A polícia era recebida sempre recebida com risos e dispersão. “Na Europa, já temos de tudo: televisão, liqüidificadores e motocicletas. Já que na China eles ainda não têm liqüidificadores, seu único objetivo é de os terem o quanto antes. Quanto chegamos a possuir tudo, eis que inesperadamente chega uma espécie de vazio”, diz um dos manifestos de Grootveld. E então que surgem outros “xamãs” anunciando mudanças – Van Duijin e Stolk, freqüentadores das cerimônias na Spui. “Eles percebem que as pessoas que delas participam têm um grau de consciência mui-to elevado, e que o evento tem um significado social explosivo”, diz Guarnaccia.

Duijin e Stolk lançam uma revista mensal intitulada Provos – que primeiro começa como um panfleto colocado clandestinamente dentro de jornais conservadores –, onde defendem uma conduta antisocial (contra o bem-estar holandês), o nomadismo, a arte, a ecologia, o fim da monarquia, dentre outras bandeiras. Através da publicação, os Provos conclamam os jovens a se unirem contra toda a sorte de alvos: carros, polícia, igreja, etc. E se colocam a favor do uso da bicicleta, da emancipação sexual, sobretudo do homossexualismo, da maconha, do fim da propriedade privada e de qualquer forma de poder ou proibição.

Vários projetos dos Provos vingaram e ainda hoje fazem par-te da rotina de Amsterdã, como as bicicletas “sem dono”. Em protesto contra a “caixa peidorrenta de ferro” (como definiam o automóvel), os Provos lançaram o Plano da Bicicleta Branca. Naquela época, voluntariamente, os jovens que freqüentavam a Spui levavam suas bicicletas para serem pintadas de branco e depois espalhadas pelas ruas para o uso irrestrito de todos. Outra conquista foi a liberalização da maconha.

A imprensa conservadora, representada pelo jornal Telegraph, não perdoou as mudanças empreendidas pelos Provos, como se lê num artigo de 1991, reproduzido no livro de Guarnaccia: “A sociedade holandesa nunca se recuperou das loucuras hippies, do flower power e das viagens para fora da realidade provocadas pela droga. Enquanto todas as sociedades ocidentais foram trazidas de volta à Terra, a socieda-de holandesa ficou nas nuvens”.

Cartlota Cafiero


Autor: Matteo Guarnaccia

Publicação original:

Editora: Conrad

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/4mhiFves/Guarnaccia_-_PROVOS.html