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Zig-Zag, Conversações

Tempo e Partilha

Caros-caras visitantes,

estamos passando por um momento de pausa em nosso processo de partilha e de trocas. O Gambiarre, que é uma plataforma pensada e  trabalhada no sentido político e emancipador dos afetos, das infiltrações subjetivas, da partilha como meio criativo da realidade e da liberdade entre os outros, infinita multidão; passa nesse tempo, pela cadência da pausa e da reflexão sobre os planos políticos que se amarram neste ano de 2011. Muitos, como acreditamos, sabem das novas perspectivas que o Ministério da Cultura (Minc) vem adotando desde a posse da atual ministra Ana de Hollanda, cujas ações e projeções renegam e tem negado as grandes conquistas da partilha dos conteúdos digitais construídos pela gestão do ex-ministro da cultura, Gilberto Gil. Falamos no caso do Creative Commons, mas não apenas deste plano, cuja construção autoral se dispõe a perceber a dimensão da obra (e sucessivamente, da relação econômica, política e educativa da obra para com o artista, do artista para com o seu público e do público para com a obra) enquanto um bem partilhável, mas nas relações coletivas que avançaram entre os brasileiros e tantos outros, onde a experiência do conhecimento, do prazer ao acesso, da criação de relações sociais que são muito mais flexíveis e intensas do que qualquer rede social limitante. Vendo/usando a obra como algo que ultrapassa as definições governamentais de propriedade material/intelectual/imaterial, vendo-a e partilhando-a como força da história e da humanidade. Bens humanos e culturais, que por direito, como está escrito e lavrado na constituição, todos deveriam ter acesso. E, também, como sabemos, esse direito é por si só hipócrita e restritivo.

O que está assolando desde 2008, está se intensificando. As práticas foram e serão de controle ao acesso destes “bens”! Os quais partem do argumento de que é dado por direito, o respeito à propriedade dos autores e a eles, o lobby milionário que as gravadoras, os escritores, os músicos e seus bandos negociam. Pois, essas políticas, ao contrário do que foi dito, não é o avesso do flerte à pirataria e ao tráfico de informação, é o flerte à exceção da liberdade de acesso desses “bens” pelos brasileiros e outros muitos.

… nisto, quase sempre, perguntamo-nos onde isso tudo vai parar…

E ao contrário do medo e do pessimismo, sentimos revolta e força.

Dizemos muito neste lugar, sem muito nos dirigirmos diretamente aos visitantes, próximos e queridos que nos dão o prazer de continuarmos. Somos dedicados ao exercício político que a partilha nos convida. Uma política da separação e do controle é algo que repugnamos em todos os sentidos. E para respondermos e agirmos coerentemente, e na mesma medida de força, que tal governamentabilidade se impõe, necessitamos de uma pausa.

Agradecemos a todos, que vêm e vão nesse lugar, agradecemos a todos o afeto pelo partilhar.

Gambiarre

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