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Foucault, Michel

Isso Não é um Cachimbo

“… Primeira versão, a de 1926, eu creio: um cachimbo desenhado com cuidado e, em cima (escrita a mão, com uma caligrafia regular,
caprichada, artificial, caligrafia de convento, como é possível encontrar servindo de modelo no alto dos cadernos escolares, ou num quadro-negro, depois de uma lição de coisas), esta menção: “isto não é um cachimbo”.
….A outra versão – suponho que a ultima -, pode-se encontrá-la na Alvorada nos antípodas . Mesmo cachimbo, mesmo enunciado, mesma caligrafia. Mas em vez de se encontrarem justapostos num espaço indiferente, sem limite nem especificação, o texto e a figura estão colocados no interior de uma moldura; ela própria está pousada sobre um cavalete, e este, por sua vez, sobre as tábuas bem visíveis do assoalho. Em cima, um cachimbo exatamente igual ao que se encontra, mas muito maior…
….”Será necessário então ler:” Não busquem no alto um cachimbo verdadeiro, é o sonho do cachimbo; mas o desenho que está lá sobre o quadro, bem firme e rigorosamente traçado, é este desenho que deve ser tomado por uma verdade manifesta…”
não consigo tirar da idéia que a diabrura reside numa operação tornada invisível pela simplicidade do resultado, mas que é a única a poder explicar o embaraço indefinido por ele provocado…Essa operação é um caligrama secretamente constituído por Magritte, em seguida desfeito com cuidado…
….separação entre signos liguísticos e elementos plásticos; equivalência de semelhança e da afirmação. Estes dois princípios constituíam a tensão da pintura clássica: pois o segundo reintroduzia o discurso (só há afirmação ali onde se fala) numa pintura onde o elemento linguístico era cuidadosamente excluído. Daí o fato de que a pintura clássica falava e – falava muito – embora fosse se constituindo fora da linguagem; daí o fato de que ela repousava silenciosamente num espaço discursivo; daí o fato de que ela instaurava, acima de si própria, uma espécie de lugar-comum onde podia restaurar as relações da imagem e dos signos…
….Magritte liga os signos verbais e os elementos plásticos, mas sem se outorgar, previamente, uma isotopia; esquiva o fundo de discurso afirmativo, sobre o qual repousava tranquilamente a semelhança. e coloca em jogo puras similitudes e enunciados verbais não afirmativos, na instabilidade de um volume sem referência e de um espaço sem plano…
….Nada de tudo isso é um cachimbo…mas um texto que simula um texto; um desenho de um cachimbo que simula o desenho de um cachimbo…(desenhado como se não fosse um desenho) …”
entre a parede e o espelho, que capta reflexos, e a superfície opaca da parede, que recebe apenas sombras, não há nada…em todos esses planos escorregam-se similitudes que nenhuma referencia vem fixar: translações sem ponto de partida nem suporte…
….a exterioridade, tão visível em Magritte, do grafismo e da plástica, está simbolizada pela não-relação – ou em todo caso pela relação muito complexa e muito aleatória entre o quadro  seu título…
….estranhas relações se tecem, intrusões se produzem, bruscas  invasões destrutoras, quedas de imagens em  meio às palavras, fulgores verbais que atravessam os desenhos e fazem-no voar em pedaços…
…..Magritte deixa reinar o velho espaço da representação, mas em superfície somente, pois não é mais do que uma pedra lisa, que traz figuras e palavras: embaixo não há nada. É a lápide de um túmulo: as incisões que desenham as figuras e a que mascaram as letras não comunicam senão pelo vazio, por esse não-lugar que se esconde sob a solidez do mármore…
parece-me que Magritte dissociou a semelhança da similitude…

Michel Foucault

Autor: Michel Foucault

Publicação Original: 1973

Editora: Paz e Terra

Idioma: Português

Link para Download: http://www.4shared.com/document/OZwcKaic/Michel_Foucault_-_Isto_no__um_.html?


Nascimento da Biopolítica

O curso ministrado por Michel Foucault no Collège de France de janeiro a abril de 1979, Nascimento da biopolítica, se inscreve na continuidade do curso do ano anterior, Segurança, território, população. Depois de mostrar como, no século XVIII, a economia política assinala o nascimento de uma nova razão governamental – governar menos, por uma preocupação de eficácia máxima, em função da naturalidade dos fenômenos com que se tem de lidar -, Michel Foucault empreende a análise das formas dessa governamentalidade liberal.

Autor: Michel Foucault

Publicação Original: 1979

Editora: Martins Fontes

Idioma: Português

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Foucault – Nascimento da Biopolítica


Nietzsche, Freud e Marx

 

Francis Bacon, Study from the human body, 1949

 

(…) a linguagem, sobretudo a linguagem nas culturas indoeuropeias produziu sempre dois tipos de suspeita:

– Por um lado, a suspeita de que a linguagem não diz exatamente o que diz. O sentido que se apreende e quase manifesta de forma imediata, não terá porventura realmente um significado menor que protege e encerra; porém,apesar de tudo transmite outro significado; este seria de cada vez o significado mais importante, o significado “que esta por baixo”. (…)

– Por outro lado, a linguagem engendrou esta outra suspeita: que, em certo sentido, a linguagem rebaixa a forma propriamente verbal, e que há muitas outras coisas que falam e que não são linguagem. Depois disto poder-se-ia dizer que a natureza, o mar, o sussuro do vento nas árvores, os animais, os rostos, os caminhos que se cruzam, tudo isto fala; pode ser que haja linguagem que se articulem em formas não verbais. (…)

Michel Foucault

Autor: Michel Foucault

Publicação original: 1967

Editora:Forense Universitária

Idioma: Português

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http://www.4shared.com/document/bDa8CMGM/Foucault_-_Nietzche_Freud_e_Ma.html


História da Sexualidade 3: O Cuidado de Si

Quando se é jovem, não se pode evitar de filosofar e, quando se é velho, não se deve cansar de filosofar. Nunca é muito cedo ou muito tarde para cuidar de sua alma. Aquele que diz que não é ainda, ou que não é mais tempo de filosofar, parece àquele que diz que não é ainda, ou não é mais tempo de atingir a felicidade. Deve-se, então, filosofar quando se é jovem e quando se é velho, no segundo caso (…) para rejuvenescer ao contato do bem, pelas lembranças dos dias passados, e no primeiro caso (…) afim de ser, ainda que jovem, tão firme quanto um velho diante do futuro.

Assim sendo, filosofar é cuidar de si e isto é uma felicidade (encaixando-se na última família de expressões que vimos acima) pois o objetivo é ser feliz na presença de si próprio. A vida, sobretudo na velhice, torna-se mais feliz. Esta nova forma é, para todos os jovens, uma preparação para ser velho e, para os velhos, uma forma de revigorar-se com o bem.

Autor: Michel Foucault

Publicação original: 1984

Editora: Graal

Idioma: Português

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Foucault – História da Sexualidade vol. III: O cuidado de si

Idioma: Espanhol

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História da Sexualidade 2: O Uso dos Prazeres

Nesta segunda parte de História da sexualidade, Foucault modifica o seu projeto original, que era de falar da sexualidade no século XIX e volta à Antigüidade, analisando as práticas existentes em torno do sexo na Grécia Antiga. Foucault não aceita a hipótese repressiva pela qual a sexualidade é reprimida pelo sistema. Para ele, a sociedade capitalista liga prazer e poder. Entender se a mecânica do poder é repressiva depende da forma teórico-metodológica escolhida. Ele afirma que o sexo não foi proibido na Idade Clássica (século XVII). Foucault optou no livro 2 de Historia da Sexualidade por estudar como os indivíduos se reconhecem como sujeitos sexuais, e raciocinou o desejo e o sujeito desejante. O seu projeto, portanto, é a investigação da maneira como se constitui a experiência em que os indivíduos se reconhecem como sujeitos de uma sexualidade que abre para conhecimentos diversos e se articula num sistema de regras e coerções. Sua análise é sobre os homens enquanto sujeitos sexuais produtores de história. Foucault escolheu o viés da hermenêutica de si, ou jogos de verdadeiro e falso onde o ser se constitui como experiência. O uso dos prazeres constitui um campo de apreciação e de escolhas morais e modos de subjetivação dados por modos de sujeição, substância ética e formas de elaboração e teleologia moral. Assim, a obra indica a maneira como o pensamento médico e filosófico, ao longo dos séculos, elaborou esse ?uso dos prazeres? e formulou temas de austeridade sobre quatro eixos: relações com o corpo; relações com a esposa; relações com rapazes; relações com a verdade. Neste último eixo encontra-se a sabedoria; a sexualidade permeia a ligação desejo-verdade. Descobrir no desejo a verdade de si mesmo, pois com ele se remete a atenção a si próprio. Buscar a identidade gera poder. Para Foucault não há sujeito sem a noção de poder. A sexualidade é uma experiência histórica singular que inclui a preocupação moral e o cuidado ético e liga as técnicas de si às práticas em relação a si. A História da sexualidade 2, foi construída seguindo a estrutura da constituição de si, dos jogos de verdade e da interação com as regras de conduta. A problematização feita foi a partir das práticas que envolvem o dito objetos de estudo, ou seja, o simbólico em torno da sexualidade. Para os gregos antigos, o ato sexual era positivo. Já os cristãos o associaram ao mal e passaram a excluir uma série de atitudes, pois viram a queda na infidelidade, no homossexualismo e na não-castidade. Prega-se, a partir daí, a abstenção, a austeridade, o respeito à interdição, de modo que o indivíduo sujeite-se ao preceito cristão em torno do sexo. A homossexualidade era livre na Grécia Antiga e fazia parte dos ritos mantidos por mestres e pupilos em busca da sabedoria. Numa incursão na Idade Antiga, explica-se as práticas de si. Os gregos não tinham instituições para fazer respeitar as interdições sexuais, como a Igreja que surge fundamentada, no século IV, pelo filósofo Santo Agostinho. Eles tinham toda uma técnica de atenção ao corpo, uma dietética voltada para a gestão da saúde, um cuidado de si que influía nas práticas sexuais. Platão se mostra contrário à sujeição do homem ao domínio de Eros (prazer). Os homens gregos escolhiam livremente entre ambos os sexos. O homossexualismo era permitido pela lei e pela opinião, havendo grande tolerância na sociedade em relação a essa escolha. Acreditava-se que o homem não precisava de outra natureza para isso.Um questionamento, entretanto, havia em torno das relações mantidas entre os homens de idades diferentes. A passividade também era mal vista no adulto, com formação moral e sexual. A homossexualidade tinha o seu papel na pedagogia, que significava a condução do aprendiz pelo mestre, homem mais vivido e, portanto, sábio. Na sociedade, a homossexualidade era vista como uma relação aberta, em que configurava-se também o amor. Sem uma instituição que a estabelecesse, a regulação da conduta estava na própria relação. Jáo matrimônio era restrito ao espaço fechado, menos nobre. No campo da conduta amorosa se distingue honroso e vergonhoso. A temperança é a qualidade mais exigida. Aos poucos, acontece o deslocamento do problema dos rapazes para a mulher e do corpo para o desejo. A côrte se transfere para a mulher, ainda inferior. A homossexualidade grega estava ligada a côrte, reflexão moral e ascetismo filosófico. Ou seja, na Grécia o sexo não foi realizado só por prazer. Cedia-se em prol de uma elaboração cultural. Praticava-se o isomorfismo nas relações sexuais e nas relações sociais. Na própria estrutura social entende-se esses usos do corpo, em razão do status inferior da mulher e do escravo, enquanto que os jovens estavam acima deles. Os homens livres podiam se ter, pois se encontravam no mesmo nível, separados pelo fator etário e econômico, que eram, estes sim, os guias para o comportamento. Os gregos pensavam a desigualdade passivo-ativo. Discutia-se o verdadeiro amor e como o universo grego era explicado por mitos ancestrais, um exemplo é a concepção do amor em O Banquete, de Platão. Foucault inicia suas conclusões de Historia da Sexualidade 2 a partir da forma como se exerce o controle da sexualidade na história, sustentando que os gregos se interrogaram sobre o comportamento sexual como questão moral, no século IV, o sexo aparece como prática que leva à perda da substância vital e como corruptor de princípios morais e médicos, como a fidelidade, a temperança e a castidade.

Autor: Michel Foucault

Publicação Original: 1984

Editora: Graal

Idioma: Português

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http://www.4shared.com/get/kMpvLYsN/Foucault_-_Histria_da_Sexualid.html

Idioma: Espanhol

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História da Sexualidade 1: A Vontade de Saber

Trata-se de questionar a sociedade que, desde o século passado, se maltrata pela sua hipocrisia.

A Sociedade vive, desde o séc. XVIII, uma fase de repressão sexual. Nessa fase, o sexo se reduz à sua função reprodutora e o casal passa a ser o modelo . O que sobra torna-se amor mal é expulso, negado e reduzido ao silêncio. Mas a sociedade burguesa se vê forçada a permitir algumas coisas. Ela restringe as sexualidades ilegítimas a lugares onde possam dar lucros que, numa época em que o trabalho é muito explorado, as energias não podem ser dispensadas nos prazeres.

Para Foucault, essa repressão é chamada por ele de hipótese repressiva, mas ele destrói esse pensamento e formula uma nova hipótese, mostrando que certas explicações funcionem, elas não podem ser encaradas como as únicas verdadeiras.

A hipótese repressiva não pode ser contestada, já que serve para a sociedade atual. Para nós é gratificante formular, em termos de repressão, as relações de sexo e poder por muitos motivos. Primeiro porque, se o sexo é reprimido, o simples fato da repressão e falar do sexo ultrapassa todos os limites; afinal, aceitando a hipótese repressiva, se pode vincular revolução e prazer, se pode falar num período em que tudo vai ser bom: o da liberação sexual. Sexo, revelação da verdade, inversão da lei do mundo, são hoje coisas ligadas entre si. Mas insiste-se na hipótese repressiva pois, dessa forma, tudo o que se diz sobre sexo ganha valor mercantil. Certos psicólogos, por exemplo, são pagos para ouvirem falar da vida sexual dos outros .

Essa hipótese repressiva vem acompanhada de uma forma de pregação: a afirmação de uma sexualidade reprimida é acompanhada de um discurso destinado a dizer a verdade sobre o sexo. Foucault, no livro, interroga a hipocrisia da sociedade. A questão é contra nós mesmos, que somos reprimidos. A partir daí, ele propõe uma série de questões: a repressão sexual é mesmo uma evidência histórica, como se afirma? Serão os meios que se utiliza e o poder repressivo o mesmo? Será que são formas discretas de poder?

Não é que ele diga que o sexo não vem sendo reprimido; ele afirma que essa interdição não é o elemento fundamental a partir do qual se pode escrever a historia do sexo, a partir da idade moderna. Ele coloca a hipótese repressiva numa economia geral a partir do séc. XVII. Mostra que todos os elementos negativos ligados ao sexo (proibição, repressão, etc.), têm função numa técnica de poder e numa vontade de saber.

A hipótese de Foucault é que há, a partir do séc. XVIII, uma proliferação de discursos sobre sexo.

Ele diz que foi o próprio poder que incitou essa proliferação de discursos, através da igreja, da escola, da família, do consultório médico. Essas instituições não visavam proibir ou reduzir a pratica sexual; visavam o controle do individuo e da população.

É suposto que deve-se falar de sexo, mas não apenas como uma coisa que a ser tolerada, mas a ser gerida e inserida para o bem de todos, fazê-lo funcionar. O sexo não se julga apenas, mas adiministra-se . Regula-se o sexo, mas não pela proibição, e sim por meio de discursos úteis, visando fortalecer e aumentar a potência do Estado como um todo.

Um exemplo prático dos motivos para se regular o sexo foi o surgimento da população como problema econômico e político, sendo necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, a precocidade e a freqüência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas ou estéreis e assim por diante.

Pela primeira vez, o dinheiro e o futuro da sociedade eram ligados à maneira como cada pessoa usava o seu sexo. O aumento dos discursos sobre sexo pode, então, ter visado produzir uma sexualidade economicamente útil.

Também passou a despertar as atenções de pedagogos e psiquiatras. Na pedagogia, há a elaboração de um discurso sobre o sexo das crianças; na psiquiatria, são estabelecidas as perversões sexuais. Ao assinalar os perigos, despertam-se as atenções em torno do sexo como um perigo incessante o que incita cada vez mais o falar sobre sexo .

O exame médico, a investigação psiquiátrica, o relatório pedagógico, o controle familiar que aparentemente visam apenas vigiar e reprimir essas sexualidades funcionam, na verdade, como mecanismos de incitação: prazer e poder. Prazer em exercer um poder que questiona, fiscaliza, espia, investiga, revela; prazer de escapar desse poder. Poder que se deixa invadir pelo prazer a que persegue. Poder que se afirma no prazer de mostrar-se, de escandalizar, de resistir . Prazer e poder reforçam-se.

Dizendo poder, não quero significar o poder , como um conjunto de instituições e aparelhos que garantem a sujeição dos cidadãos num determinado estado. Também não entendo poder como um modo de sujeição que, por oposição à violência, tenha a forma de regra. Enfim, não entendo o poder como um sistema geral de dominação exercida por um elemento ou grupo sobre o outro e cujos efeitos, por derivações sucessivas, atravessem o corpo social inteiro. A análise em termos de poder não deve postular, como dados iniciais, a soberania do Estado, a forma de lei ou a unidade global de uma dominação; estas são apenas e, antes de mais nada, suas formas terminais. Parece-me que se deve compreender o poder, primeiro, como a multiplicidade de correlações de forças imanentes ao domínio onde se exercem e constitutivas da sua organização; o jogo que, através de lutas e afrontamentos incessantes as transforma, reforça, inverte; os apoios que tais correlações de força encontram umas nas outras, formando cadeias ou sistemas ou ao contrário, as defasagens e contradições que as isolam entre si; enfim, as estratégias em que se originam e cujo esboço geral ou cristalização institucional toma corpo nos aparelhos estatais, na formulação da lei, nas hegemonias sociais . (FOUCAULT, 1993 pág. 88-89).

Pode-se afirmar, então, que um novo prazer surgiu: o de contar e o de ouvir.

Foucault constrói uma nova hipótese sobre a sexualidade humana. As sexualidades são socialmente construídas. Assim como a hipótese repressiva, é uma explicação que funciona. Cada um que aceite a verdade que lhe convém.

Autor: Michel Foucault

Publicação original:1976

Editora: Graal

Idioma: Português

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Idioma: Espanhol

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Bibliografia Cronológica de Michel Foucault

Bibliografia Cronológica de Michel Foucault

Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926.filho de pai médico, com a expectativa de seguir a tradição de seus antepassados e herdeiro de toda uma geração de médicos de sobrenome Foucault, Michel tenta ingressar na Escola Normal Superior (em 1945), tendo sido reprovado na primeira vez que tentou. Esse fato marcou a vida de Foucault, pois no Liceu onde foi estudar em função dessa reprovação, foi aluno de Jean Hyppolite, importante filósofo que trabalhava o hegelianismo na França. Seu próximo passo é estudar, a partir de 1946, na Escola Normal Superior da França. Ai conhece e mantém contatos com Pierre Bourdieu, Jean-Paul Sarte, Paul Veyne, entre outros. Na Escola Normal, Foucault também é aluno de Maurice Merleau-Ponty. Dois anos depois, Foucault se gradua em Filosofia na Sorbonne. Em 1949, Foucault se diploma em Psicologia e conclui seus Estudos Superiores de Filosofia , com uma tese sobre Hegel, sob a orientação de Jean Hyppolite. Em meio a angústias e descaminhos que levaram Foucault a algumas tentativas de suicídio, o pensador adere ao Partido Comunista Francês em 1950, ao qual fica ligado pouco tempo em função de desavenças políticas e de “intromissões” pessoais que o partido faz na vida de seus participantes, como foi o caso de Althusser e dele próprio.

Em 1951, Foucault torna-se professor de psicologia na Escola Normal Superior, onde tem comoalunos Derrida e Paul Veyne, entre outros. Neste mesmo ano ele trabalha junto ao HospitalPsiquiátrico de Saint-Anne. Também na década de 1950, evidencia-se a afinidade de Foucault pelas artes. Podemos observá-lo estudando o surrealismo, por exemplo, em 1952 e René Char em1953. Mais ou menos nesse período, Foucault segue o famoso Seminário de Jacques Lacan. Maurice Blanchot e Georges Bataille aproximam Foucault de Nietzsche, ao mesmo tempoem que ele recebe seu diploma em Psicologia Experimental (fase em que Foucault se dedica a Janet, Piaget, Lacan e Freud). Começa, então, a fase mais produtiva, no sentido acadêmico, na vida de Foucault. Fase esta que vai até o final da década de 1970.

Em 1971, Foucault assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa Ordem do discurso .Foucault teve vários contatos com diversos movimentos políticos. Engajou-se nas disputas políticas nas Guerras do Irã e da Turquia. O Japão é também um local dediscussão para Foucault. Várias vezes esteve no Brasil, onde realizou conferências e firmou amizades como a de Roberto Machado. Foi no Brasil que pronunciou as importantesconferências sobre A verdade e as formas jurídicas, na PUC do Rio de Janeiro. Os Estados Unidos atraem Foucault em função do apoio à liberdade intelectual e, sobretudo, SãoFrancisco, cidade onde Foucault pode vivenciar algumas experiências marcantes em suavida pessoal no que diz respeito à sua sexualidade. Berkeley torna-se um pólo de contato entre Foucault e os Estados Unidos. Definitivamente, Foucault sentia-se em casa nos EUA.

Em junho de 1984, em função de complicadores provocados pela AIDS, Foucault tem septicemia e isso provoca sua morte por supuração cerebral no dia 25. Discutido e estudado por várias áreas do saber, Foucault mostra-se como um pensador arrojado, um intelectual que, preocupado com o presente em que se encontra inserido, percorre os saberes em busca de uma crítica que subverta os esquemas de saberes e práticas que nos constituem e subjugam.

Fonte: Espaço Michel Foucault

Idioma: Português

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http://www.4shared.com/document/EDUj7sjP/Bibliografia_cronolgica_de__Fo.html


Vigiar e Punir

 

Vigiar e punir (em francês: Surveiller et Punir: Naissance de la prison) é um livro do filósofo francês Michel Foucault, publicado originalmente em 1975 e tida como uma obra que alterou o modo de pensar e fazer política social no mundo ocidental. É um exame dos mecanismos sociais e teóricos que motivaram das grandes mudanças que se produziram nos sistemas penais ocidentais durantea era moderna. É dedicado à análise da vigilância e da punição, que se encontram em várias entidades estatais (hospitais, prisões e escolas). Foca documentos históricos franceses, mas as questões sobre as quais se debruça são relevantes para as sociedades contemporâneas. É uma obra seminal que teve grande influência em intelectuais, políticos, activistas sociais e artistas.

Autor: Michel Foucault

Publicação original: 1975

Editora: Vozes

Idioma: Português

Link para Download: http://www.4shared.com/document/tQJs_KTm/Michel_Foucault_-_Vigiar_e_Pun.htm


Heterotopias, de Outros Espaços

Cena do Filme Metrópolis (Fritz Lang), a cidade como heterotopia

Existem países, cidades, continentes, planetas, universos “sem lugar”, os quais seria impossível encontrar num mapa, e histórias sem cronologia.

Esses lugares, esses tempos, nascem na cabeça dos homens, nas suas narrativas, nos seus sonhos, no vazio de seus corações. São a doçura das utopias. Mas eu acredito que existem em todas as sociedades algumas utopias que ocupam um lugar real, um lugar que podemos situar num mapa, que têm um tempo determinado, um tempo que podemos fixar e medir segundo o calendário de todos os dias. É bem provável que cada grupo humano recorta no espaço onde está lugares utópicos e recorta no tempo momentos “ucronicos” o que quero dizer é que nós não vivemos nem espaço e num tempo neutro e branco. Não vivemos, não morremos, não amamos no retângulo de uma folha de papel. Vivemos, morremos, amamos num espaço esquadrinhado, recortado, desenhado, com zonas claras e escuras, com diferenças de níveis, com escadas, portas, penetráveis e impenetráveis.

Existem as regiões de passagem: as ruas, os trens, os metrôs. As regiões abertas: os cafés, os hotéis, as praias. As regiões fechadas, de repouso: o lar. Mas entre esses lugares que se distinguem uns dos outros, existem alguns que são completamente diferentes. Lugares que se opõem a todos os outros, que são destinados a apagá-los, neutralizá-los, purificá-los, são um tipo de “contra-espaços”, utopias localizadas (são por exemplo o fundo do jardim para as crianças, ou a cama dos pais, que contêm um oceano onde podemos nadar entre as cobertas, o céu, a noite, pois nos transformamos em fantasmas entre os lençóis…) Contra-espaços, utopias situadas, lugares reais fora de todos os lugares (como os jardins, os cemitérios…)

Eu sonho com uma ciência que teria por objeto esses outros lugares, essas contestações míticas e reais do espaço onde vivemos. Essa ciência estudaria não as utopias (porque é necessário reservar esse nome ao que não há verdadeiramente lugar) mas ela estudaria as “heterotopias”, os espaços absolutamente outros. A ciência em questão teria como nome, e já o tem, de “heterotopologia”. Para essa ciência que está nascendo, um primeiro princípio: não existe provavelmente uma sociedade que se constitui sem heterotopia, e essas heterotopias são as mais variadas e se transformam constantemente.

Michel Foucault

Autor: Michel Foucault

Publicação Original: 1967

Editora: sem editora

Idioma: Português

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http://www.4shared.com/document/9WvUzWHc/Foucault_-_Heterotopias_dos_es.html


A Arqueologia do Saber

Este trabalho não é a retomada e a descrição exata do que sepode ler em Histoire de la folie, Naissance de la clinique ou Lesmots et les choses. Em muitos pontos ele é diferente, permitindotambém diversas correções e criticas internas. De maneira geral, Histoire de la folie dedicava uma parte bastante considerável, e aliás bem enigmática, ao que se designava como uma “experiência”, mostrando assim o quanto permanecíamos próximos de admitir um sujeito anônimo e geral da história. Em Naissance de la clinique, o recurso à análise estrutural, tentado várias vezes, ameaçava subtrair a especificidade do problema colocado e o nível característico da arqueologia. Enfim, em Les mots et les choses, a ausência da balizagem metodológica permitiu que se acreditasse em análises em termos de totalidade cultural. Entristece-me o fato de que eu não tenha sido capaz de evitar esses perigos: consolo-me dizendo que eles estavam inscritos na própria empresa, já que, paratomar suas medidas, ela mesma tinha de se livrar desses métodos diversos e dessas diversas formas de história; e depois, sem as questões que me foram colocadas, sem as dificuldades levantadas, sem as objeções, eu, sem dúvida, não teria visto desenhar-se tão clara a empresa à qual, quer queira quer não, me encontro ligadode agora em diante. Daí, a maneira precavida, claudicante deste texto: a cada instante, ele se distancia, estabelece suas medidas de um lado e de outro, tateia em direção a seus limites, se choca como que não quer dizer, cava fossos para definir seu próprio caminho. A cada instante, denuncia a confusão possível. Declina sua identidade, não sem dizer previamente: não sou isto nem aquilo. Não se trata de uma crítica, na maior parte do tempo; nem de uma maneira de dizer que todo mundo se enganou a torto e a direito; mas sim de definir uma posição singular pela exterioridade de suas vizinhanças; mais do que querer reduzir os outros ao silêncio, fingindo que seu propósito é vão – tentar definir esse espaço branco de onde falo, e que toma forma, lentamente, em um discurso que sinto como tão precário, tão incerto ainda.

Michel Foucault

Autor: Michel Foucault

Publicação original: 1969

Idioma: Português

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Foucault – A Arqueologia do Saber

Idioma: Francês

Link para download:

Foucault – A Arqueologia do Saber (Francês)