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Benjamin, Walter

Obras Escolhidas Volume II: Rua de Mão Única

Rua de Mão Única é um lance, é um jogo, é uma distenção entre palavras e ações. São caminhos múltiplos, traçados por Benjamin em sua prosa, onde partilha memórias, desvios, pequeninas coisa, sua percepção que nos pode parecer ilustrativa, mas é critica e poética. O conjunto de suas linhas são de tempos indistintos, talvez não para especialistas, mas ao dedilhar os olhos, entramos nos caminhos que o filosofo compôs. Sua linguagem aforismática e fragmentada pode apresentar no livro a característica da palavra como possuida num caderno de anotações, viagens, intimismo… Ela percorre  Moscou, Auto-Retratos, Brinquedos, Cores, Artigos, atravessa os retalhos.  Rua de Mão Única é um convite as travessias e ao prazer.

Autor: Walter Benjamin

Publicação original:1987

Editora: Brasiliense

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/pLDwh25B/Walter_Benjamin_-_Rua_de_mo_ni.html

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A Modernidade e os Modernos

As descrições sobre a grande cidade não pertencem nem a um nem a outro daqueles tipos. Pertencem àqueles que atraves-saram a cidade como que ausentes, perdidos em seus pensamen-los ou preocupações. A estes faz jus a imagem do fantasque escrime; Baudelaire teve em mira a condição destes, diferente da do observador. No seu livro sobre Dickens, Chesterton fixou com mestria o indivíduo que percorre distraído a grande cidade. As andanças constantes de Charles Dickens começaram nos anos de infância. “Quando terminava seu trabalho só lhe restava vaguear pela cidade e assim percorria meia Londres. Era sonhador quando criança; seu triste destino preocupava-o mais que outra coisa… Ao anoitecer ficava debaixo das lanternas do Holborne e em Charing Cross sofreu o martírio”. “Ele não observava à maneira dos pedantes; não olhava Charing Cross para se instruir; não contava as lanternas de Holborne para aprender aritmética. .. Dickens não absorvia no seu espírito a cópia das coisas; antes era ele que imprimia seu espírito nas coisas”.

Walter Benjamin

Autor: Walter Benjamin

Publicação original: 1975

Editora: Editora Tempo Brasileiro Ltda

Idioma: Português

Link para download:

http://www.4shared.com/document/_5IBRl70/Walter_Benjamin_-_A_Modernidad.html


Obras Escolhidas Volume I: Magia e técnica, Arte e Política.

“A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica”

Com efeito, quando o advento da primeira técnica de reprodução verdadeiramente revolucionária – a fotografia, contemporânea do início do socialismo – levou a arte a pressentir a proximidade de uma crise, que só fez aprofundar-se nos próximos cem anos seguintes, ela reagiu ao perigo iminente com a doutrina da arte pela arte, que é no fundo a teologia da arte. Dela resultou uma teologia negativa da arte, sob a forma de uma arte pura, que não rejeita apenas toda a função social, mas também qualquer determinação objetiva. ( Na literatura, foi Mallarmé o primeiro a alcançar esse estágio). É indispensável levar em conta essas primeiras relações em um estudo que se propõe aestudar a arte na era de sua reprodutibilidade técnica. Porque elas preparam o caminho para a descoberta decisiva:  com a reprodutibilidade técnica, a obra de arte se emancipa, pela primeira vez na história, de sua existência parasitária, destacando-se do ritual.

No momento em que o critério da autenticidade deixa de aplicar-se à produção artística, toda a função da arte se transforma. Em vez de fundar-se no ritual, ela passa a fundar-se em outras práxis: a política.

A arte registrava certas imagens, a serviço da magia, com funções práticas: seja como execução de atividades mágicas, seja como objeto de contemplação, à qual se atribuíamefeitos mágicos. Os temas dessa arte eram o homem e seu meio, copiados segundo exigências de uma sociedade cuja técnica se fundia inteiramente com ritual. Essa sociedadeé exatamente a antítese da nossa, cuja técnica é a mais antecipada que já existiu. Mas essa técnica emancipada se confronta com a sociedade moderna sob a forma de uma segunda natureza, não menos elementar que a sociedade primitiva, como provam as guerras e as crises econômicas.

O rádio e cinema não modificam apenas a função do intérprete profissional, mas também a função de quem se representa a si mesmo diante desses dois veículos decomunicação, como é o caso do político. O sentido dessa transformação é o mesmo no ator de cinema e no político, qualquer que seja a diferença entre as suas tarefasespecializadas. Seu objetivo é tornar “mostráveis”, sob certas condições sociais, determinadas ações de modo que todos possam controlá-las e compreendê-las, da mesma forma como o esporte fizera antes, sob certas condições naturais.

A diferença essencial entre autor e leitor está prestes a desaparecer. Ela se transforma em uma diferença funcional e contingente. A cada instante o leitor está pronto para a converter-se em um escritor.

A reprodutibilidade técnica da arte modifica a relação da massa com a arte. Retrógrada diante de Picasso, ela se torna progressista diante de Chaplin. O comportamento progressista secaracteriza pela relação direta e interna entre o prazer de ver e sentir, por um lado, e a atitude do especialista, por outro. Este vínculo constitui um valioso indício social. Quanto mais se reduz a significação social de uma arte, maior fica a distância, no público, entre a atitude de fruição e a atitude crítica, como se evidencia com o exemplo da pintura.

Do mesmo modo, um público que tem uma reação progressista diante de um filme burlesco,tem uma reação retrógrada diante de um filme surrealista.

A enorme quantidade de episódios grotescos atualmente consumidos no cinema constituem um índice impressionante dos perigos que ameaçam a humanidade, resultantes das repressões que a civilização traz consigo.

O cinema é a forma de arte correspondente aos perigos existenciais mais intensos com os quais se confronta o homem contemporâneo. Ele corresponde a metamorfoses profundas do aparelho perceptivo, como as que experimenta o passante, numa escala individual, quando enfrenta o tráfico, e como as experimenta, numa escala histórica, todo aquele que combate a ordem social vigente.

Autor: Walter Benjamin

Publicação original:1985

Editora: Brasiliense

Idioma: Português

Link para download:

Walter Benjamin – Magia e Técnica, arte e política (Obras Escolhidas Vol. I)