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Heterotopias, de Outros Espaços

Cena do Filme Metrópolis (Fritz Lang), a cidade como heterotopia

Existem países, cidades, continentes, planetas, universos “sem lugar”, os quais seria impossível encontrar num mapa, e histórias sem cronologia.

Esses lugares, esses tempos, nascem na cabeça dos homens, nas suas narrativas, nos seus sonhos, no vazio de seus corações. São a doçura das utopias. Mas eu acredito que existem em todas as sociedades algumas utopias que ocupam um lugar real, um lugar que podemos situar num mapa, que têm um tempo determinado, um tempo que podemos fixar e medir segundo o calendário de todos os dias. É bem provável que cada grupo humano recorta no espaço onde está lugares utópicos e recorta no tempo momentos “ucronicos” o que quero dizer é que nós não vivemos nem espaço e num tempo neutro e branco. Não vivemos, não morremos, não amamos no retângulo de uma folha de papel. Vivemos, morremos, amamos num espaço esquadrinhado, recortado, desenhado, com zonas claras e escuras, com diferenças de níveis, com escadas, portas, penetráveis e impenetráveis.

Existem as regiões de passagem: as ruas, os trens, os metrôs. As regiões abertas: os cafés, os hotéis, as praias. As regiões fechadas, de repouso: o lar. Mas entre esses lugares que se distinguem uns dos outros, existem alguns que são completamente diferentes. Lugares que se opõem a todos os outros, que são destinados a apagá-los, neutralizá-los, purificá-los, são um tipo de “contra-espaços”, utopias localizadas (são por exemplo o fundo do jardim para as crianças, ou a cama dos pais, que contêm um oceano onde podemos nadar entre as cobertas, o céu, a noite, pois nos transformamos em fantasmas entre os lençóis…) Contra-espaços, utopias situadas, lugares reais fora de todos os lugares (como os jardins, os cemitérios…)

Eu sonho com uma ciência que teria por objeto esses outros lugares, essas contestações míticas e reais do espaço onde vivemos. Essa ciência estudaria não as utopias (porque é necessário reservar esse nome ao que não há verdadeiramente lugar) mas ela estudaria as “heterotopias”, os espaços absolutamente outros. A ciência em questão teria como nome, e já o tem, de “heterotopologia”. Para essa ciência que está nascendo, um primeiro princípio: não existe provavelmente uma sociedade que se constitui sem heterotopia, e essas heterotopias são as mais variadas e se transformam constantemente.

Michel Foucault

Autor: Michel Foucault

Publicação Original: 1967

Editora: sem editora

Idioma: Português

Link para Download:

http://www.4shared.com/document/9WvUzWHc/Foucault_-_Heterotopias_dos_es.html

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