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Nietzsche e a Filosofia


Ariadne e a pantera, Johann Heinrich Dannecker, c. 1812

O sentido enquanto conceito filosófico

Todos, temos a mania de estabelecer conceitos e valores no que vimos, sentimos e vivenciamos em nosso dia-a-dia. O que não conseguimos, no entanto, é perceber que a sensação do valor que estabelecemospara os comportamentos, objetos ou situações pelas quais somos assediados diariamente podem estar carregados de pressuposições, às vezes até, não nossas. Isso pode ser explicável a partir do momento que aceitarmos que para qualquer fato, pensamento ou situação for admitida a possibilidade dessacoisa já ser possuidora de uma força originária de si própria, aceitando-se de que o sentido dessa coisa, está em quetodo objeto, pensamento ou ação é possuidor de força naturalmente,e portanto uma força dominante, mas sobre a qual outra dominação é exercida.
O que será possível desmistificar que ação ou reação de uma força estabelecida não é mero sintoma, mas sim, uma demonstração de força incorporada no objeto. Com isso se torna inadimissível supor que determinado acontecimento é reflexo de forças externas… é preciso conceber o sentido das forças e demonstrações que naquele momentoestão expostas ao julgamento, não como um processo construído e originado em outros setores alheios ao alí existentes. A idéia geradora desse tipo de pensamento está muito arraigada entre nós, pela pega da religiosidade com a admissão do bem e do mal, do certo e do errado, formando em tudo uma dicotomia opositora, que em verdade não deve ser vista como oposição, mas isto sim, como uma situação a ser percebida como diferenciada. Basta apenas que coloquemos nossa visão, não como instrumento julgador, mas simavaliador, para aí então podermos diferenciar tais nuances de maneira imparcial e capaz de perceber ser impossível conhecer osentido de alguma coisa, sem que primeiro saibamosqual a força dominante sobre o objeto naquele momento.
Falamos em força, mas o que seria a força? diriam muitos. São variadíssimos os conceitos entre os pensadores filosóficos, mas estamosnos identificando mesmo que, tênuemnente com o que podemos chamar de existencialismo, ou seja, que a força nada mais é do que a estabelecida pela realidade vivida pelos indivíduos em seus segmentos sociais: Toda força então é apropriação, exploração de uma parte dessa realidade. Assim, podemos perceber que as expressões de forças se apropriam na natureza e que essa natureza em seus aspectos diversos tem uma história construída através de uma sucessão de forças que lutam entre sí para dela se apoderar. A história de uma coisa é então a variação dos sentidos ou mesmo, a alternância dos fenômenos de dominação mais ou menos violentos. O sentido de uma coisa. muito singularmente defendido é uma questão do olhar, do avaliar e do sentir, com uma proposição de que o sentido de algo está em que, toda subjugação ou dominação, equivale simplesmente a uma interpretação nova.

Thadeu Ximenes

Autor: Gilles Deleuze

Publicação Original: 1962

Idioma: Português

Link para Download:

http://www.4shared.com/get/YeRGAjlw/Deleuze_-_Nietzsche_e_a_filoso.html

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